Roteiro do Fado

Distância 7,7km
1 Museu do Fado
Museu do FadoO Museu do Fado, localizado no castiço bairro de Alfama, está inteiramente dedicado à canção típica de Lisboa. O museu utiliza uma sucessão de ambientes audiovisuais para divulgar a história do fado, lembrando também os seus intérpretes e instrumentistas. O museu percorre toda a história do fado: a sua criação no século XVIII, a sua internacionalização a partir dos anos 30 do século XX, a censura imposta pela ditadura do Estado Novo, o ostracismo a que foi votado após a revolução de 1974 e a sua consagração enquanto Património da Humanidade pela Unesco, em 2011. Exibe também a história da guitarra portuguesa, instrumento inseparável desta expressão musical. "O Fado" de José MalhoaEm exposição estão ainda as notáveis obras de pintura O Fado de José Malhoa (1910), o tríptico O Marinheiro de Constantino Fernandes (1913) e também o painel lenticular O Mais Português dos Quadros a Óleo de João Vieira (2005), reproduzindo o ambiente boémio e desafiador caraterístico do fado. O Museu do Fado expõe ainda inúmeros testemunhos do universo fadista: jornais, fotografias, cartazes, partituras, instrumentos musicais, fonogramas, trajes e adereços de atuação, troféus, contratos, licenças, documentação profissional e carteiras profissionais. Para além da sua exibição permanente, este museu realiza também exposições periódicas e dispõe ainda de uma escola, onde promove a interpretação do fado e a aprendizagem da guitarra portuguesa. Informações úteis O Museu do Fado dispõe de uma loja temática, especializada em discografia, bibliografia e souvenirs alusivos ao fado, bem como de um serviço de restaurante e cafetaria, aberto das 10h00 às 02h00. O bilhete de entrada custa 5 euros (reduções para jovens, seniores, estudantes, famílias e portadores do Lisboa Card). Está encerrado às segundas-feiras e nos dias 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro.
2 Clube de Fado
Restaurante Clube de FadoVisitar Lisboa e não ouvir fado, é como ir a Roma sem ver o Papa. O fado é um estilo musical português, cantado habitualmente por uma só pessoa e acompanhado por guitarras clássicas e portuguesas. No Clube de Fado pode apreciar uma noite de fados, enquanto saboreia um tradicional jantar português. Instalado no castiço bairro de Alfama, num edifício cheio de história, o ambiente é à meia luz e decorado com o mobiliário próprio das antigas tascas lisboetas, onde os fadistas cantavam à desgarrada. No interior, encontra ainda um antigo poço moiro. A sua antiguidade associou-se à superstição, dizendo-se agora que é um poço da sorte. Clube de FadoNo Clube de Fado, a cozinha é tipicamente portuguesa, com pratos como bife do lombo, costeletas de cabrito, bacalhau na cataplana e açorda de marisco. Os preços são mais elevados do que em outros restaurantes equivalentes, mas isso justifica-se pelo espetáculo de fado que aqui ocorre diariamente. O guitarrista Mário Pacheco é o artista residente (e também o dinamizador deste espaço), sempre acompanhado por cantores de fado profissionais ou amadores. Há fados todos as noites da semana, que começam pelas 21h30 e se prolongam até ao encerramento da casa, pelas 2h00. Para os ouvir, é necessário pagar uma taxa de 7,50 euros. Se preferir assistir ao espetáculo sem jantar, apareça apenas depois das 22h30 (ainda assim terá de pagar a mesma taxa). E atenção: silêncio, que se vai cantar o fado!
3 Tasca do Jaime
Tasca do JaimeA Tasca do Jaime, situada no típico bairro da Graça, é um dos poucos locais de Lisboa onde ainda se encontra o genuíno espírito fadista. Esta pequena casa, recheada com um balcão de pedra e meia dúzia de mesas, encontra-se no percurso do eléctrico 28. Isto torna mais fácil descobri-la, para quem não conhece bem esta zona da cidade. Pelas tardes de sábados, domingos e feriados, entre as 16h00 e as 20h00, o espaço é pouco para a pequena multidão (muitos populares e alguns turistas) que ali se reúne para assistir ao fado vadio, cantado por amadores que evocam à desgarrada os dramas, anseios e tragédias do povo lisboeta. Tasca do JaimeDurante estas tardes de fado, sucedem-se as vozes, auxiliadas por um microfone que cai do teto e que vai passando de mão em mão, dando oportunidade a todos. Tudo ao estilo típico das antigas tascas lisboetas. Nas paredes estão visíveis inúmeras fotografias que recordam a cena fadista. O consumo faz-se à volta de jarros de vinho tinto e verde e petiscos variados, como uns afamados pastéis de bacalhau. Os donos, com a sua simpatia, estimulam um ambiente de grande descontração e convívio. Pela grande afluência, aconselha-se que chegue cedo à Tasca do Jaime nos dias de fado, para garantir um lugar sentado no interior.
4 Casa-Museu Amália Rodrigues
Amália RodriguesA grande diva do fado, Amália Rodrigues, é sem dúvida uma das mais emblemáticas e queridas figuras da cultura portuguesa. Por isso, a casa onde viveu foi transformada em museu quase de imediato, após a sua morte, em 1999. A remodelação foi efectuada pela Fundação Amália Rodrigues, com a colaboração do Museu do Traje na organização e apresentação do espólio. A antiga casa da fadista, agora, Casa-Museu Amália Rodrigues, é uma bonita casa lisboeta, situada na conhecida rua de São Bento. Numa visita guiada que dura cerca de 30 minutos, os muitos admiradores da cantora podem conhecer e apreciar todo o ambiente, espaços e objectos que povoaram a vida da artista e que são testemunho vivo da sua carreira e das suas vivências pessoais. Casa-Museu Amália Rodrigues No total, encontram-se mais de 30 mil peças expostas pelos diferentes espaços:
  • A sala de estar guarda algumas das mais preciosas peças, como uma guitarra do século XIX, um piano, retratos, gravações, diversas medalhas e condecorações.
  • A sala de jantar encontra-se preparada para uma noite de festa, com a mesa posta.
  • O quarto de dormir, no piso superior, é o espaço mais íntimo e pessoal, onde estão expostos objectos como perfumes, vestidos, um xaile, sapatos e jóias.
5 Tasca do Chico
Tasca do ChicoA Tasca do Chico é uma capela do fado vadio, a forma mais castiça deste estilo musical. Aberta desde 1994, aproveitou um antigo armazém de queijos e enchidos, que Francisco Gonçalves remodelou para abrir esta recriação de uma antiga taberna. A decoração é composta por fotografias e antigos recortes de jornais, que ilustram várias gerações de fadistas. Às segundas e quartas-feiras, há noites de fado que apresentam intérpretes populares, gente anónima que canta o fado mais genuíno. Qualquer um pode aqui cantar, o que às vezes origina alguma competição entre estes amadores, que disputam a oportunidade de se exibirem em público. Tasca do ChicoAs mesas compõem-se com turistas de todas as proveniências e idades, por entre lisboetas apreciadores de fado. Quando a casa enche (o que é muito frequente), amontoam-se à porta, à espera de uma oportunidade para também entrarem (a entrada não é paga, apenas o consumo realizado). Por isso, é aconselhável chegar cedo para conseguir lugar sentado e ainda assim prepare-se para partilhar a mesa com outros espetadores. Para acompanhar os fados, pode tomar uma cerveja ou provar a sangria. Para petiscar, encontra caldo verde, queijos, enchidos e chouriço assado. Em 2009, a Tasca do Chico abriu uma segunda casa em Alfama (rua dos Remédios, 83), que plasma o espírito desta primeira. Aqui os fados vadios escutam-se entre quintas-feiras e domingos.
6 Povo Lisboa
Povo LisboaO Povo Lisboa é um restaurante e bar inaugurado em novembro de 2011 e localizado no Cais do Sodré, numa área em renascimento depois de algumas décadas de degradação. Inspira-se nas antigas tascas lisboetas para se posicionar como um agradável ponto de encontro, animado por música e bem acompanhado por uns petiscos (pataniscas, ovos verdes, peixinhos da horta, salada de polvo) e um copo de vinho. Ocupa o espaço do antigo bar Arizona, devidamente reconvertido num local moderno e arejado. Para além do espaço interior, dispõe de uma esplanada na rua (que foi vedada ao trânsito) e que é onde acontece toda a animação. Povo LisboaNo Povo Lisboa, o fado está presente através de espetáculos ao vivo. Há um fadista residente, geralmente um jovem intérprete (muda todos os meses), que canta este género musical acompanhado por instrumentistas. O objetivo é descobrir novos talentos, potenciando as suas carreiras profissionais. Nas sessões de domingo, o público é convidado a participar, ou seja os anónimos podem cantar também. Há ainda sessões de música de fusão e world music, incluindo tango e flamenco. O Povo Lisboa dispõe também de menus fixos de petiscos e, durante os dias de semana, serve um prato do dia a preço económico. Está aberto durante toda a semana.
7 Discoteca Amália
Discoteca AmáliaA Discoteca Amália é uma charmosa loja de fado situada na Baixa lisboeta, que presta homenagem a Amália Rodrigues. A casa, fundada em 1991, apresenta na sua montra uma fotografia daquela diva do fado, acompanhada por rosas. No interior, encontra uma espécie de relicário do fado, um espaço que vende desde os mais antigos até aos seus mais atuais sucessos. Por vezes, quando o ruído do trânsito o permite, a música do interior espalha-se pela rua. É uma loja procurada por muitos turistas que querem saber mais sobre o fado e comprar alguns dos seus discos mais emblemáticos. O staff está sempre disponível para prestar ajuda. Carrinha de FadoA Discoteca Amália complementa-se com a carrinha do fado, uma viatura vintage da marca Fleur de Lys ao estilo dos anos 20 (com a matrícula OE-50-80), estacionada na Rua do Carmo. Esta viatura, para além de dar a ouvir fado aos transeuntes que por ali passam, é também um outro ponto de venda de discografia dedicada à canção portuguesa. É um local de habitual paragem de turistas, muitas vezes atraídos pela música e aproveitando para ali pedirem informações turísticas ao vendedor que se encontra no seu interior (muito embora este não seja um ponto oficial de informação turística). A Discoteca Amália encerra aos domingos.

FadoO fado é a expressão musical de Lisboa, numa fórmula de origens pouco conhecidas, mas sempre associada à história da cidade. Enquanto porto de partida para a expansão marítima dos séculos XV, XVI e XVII, Lisboa recebeu visitantes e escravos provindos de África, América do Sul e Ásia, que aqui deixaram também as suas influências musicais. Mas o fado passou a ser reconhecido em Lisboa apenas em 1840, inicialmente cantado por marinheiros. Rapidamente se destacaram os seus intérpretes, pelas letras ousadas das composições e pela forma provocadora de vestir. Ao longo do século XX, o fado ganhou adeptos dentro das classes mais favorecidas e expandiu-se para o rádio, cinema e teatro, atingindo uma dimensão nacional. As Casas de Fado nasceram a partir de meados desse século e criaram a figura do fadista profissional, obrigado a uma carteira profissional e à censura prévia das letras interpretadas.

Amália RodriguesCom Amália Rodrigues (1920-99), a maior fadista de sempre, o fado modernizou-se e adquiriu um estatuto mundial, confirmada pela UNESCO, que o declarou Património da Humanidade, em novembro de 2011. Os fadistas cantam a saudade de um amor perdido, a desgraça e a tragédia, o amor e o ciúme, em ambientes próprios, à meia luz e exigindo silêncio absoluto. Depois de um período de algum desinteresse, o fado reconquistou Lisboa e é atualmente um estilo musical acarinhado pelas elites e cantado pelos lisboetas, ao mesmo tempo que movimenta muitos turistas à procura dos mais genuínos traços da cultura local. O roteiro do fado, que pode ser realizado em dois dias, divide-se nas visitas às entidades que o promovem e expõem, como o Museu do Fado e a Casa-Museu Amália Rodrigues e também aos restaurantes e tascas onde é cantado. Os primeiros, de índole mais turística, são lugares onde é preciso jantar ou pagar uma taxa para ouvir o fado cantado por profissionais. O verdadeiro espírito fadista, praticado por cantores amadores que o cantam à desgarrada numa espécie de competição improvisada, descobre-se nas poucas tascas que ainda resistem a formatos mais modernos. Aqui, qualquer um pode cantar ou escutar o fado vadio, sujeito apenas ao consumo de uma cerveja ou um jarro de vinho. É o programa mais popular e recomendado para quem visita Lisboa ou a quer conhecer melhor.